Falta capacitação no setor de classificação de grãos e isso preocupa o produtor

Um dos problemas que também tira o sono dos produtores rurais é a classificação de grãos. Em função disso, estão sempre em busca de capacitação, qualificação e treinamentos para os seus colaboradores. A ideia é ter uma pessoa que entenda do assunto para acompanhar a classificação feita pelas indústrias. Eles reclamam não só dos resultados da classificação, mas também da falta de mão de obra qualificada para atuar no setor.

O produtor rural Marcos André Bertol, de 35 anos, que produz 750 hectares de soja e milho, em Água Boa, conta que fez o treinamento de Classificação de produtos de Origem vegetal – soja e milho ofertado pelo Sindicato Rural em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (SENAR-MT) para ter condições de acompanhar de perto a classificação de sua safra. “Eu sempre tive muitas dúvidas sobre as avarias apresentadas”. Bertol acrescenta ainda que ao entender como é feita esta classificação fica mais fácil de contestar os descontos, caso sejam feitos de forma indevida.

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Investir em boas práticas de armazenagem é garantir a qualidade do grão

Armazenar adequadamente consiste em manter a guarda e conservação dos produtos alimentícios de acordo com os padrões de qualidade. A armazenagem de grãos é parte importante do agronegócio, portanto, deve ser incorporada ao processo da cadeia produtiva, que vai desde o plantio até a comercialização e industrialização. Estima-se que no Brasil 20% da produção anual de grãos seja perdida entre a colheita e o armazenamento.

O Brasil nos últimos anos tem se destacado no comércio internacional como exportador de commodities agrícolas. E grande parte da produção de grãos do Brasil é destinada as cadeias produtivas de carnes, como é o caso da produção de milho estimada em 55 milhões de toneladas ano, em que 70% é destinada a avicultura, 24% à suinocultura, 4% à bovinocultura e 2% à alimentação humana e exportação. O Brasil apresenta crescimento da produção de grãos a cada ano, suprindo o mercado interno e ainda atuando no internacional. No entanto, a capacidade de armazenagem continua estática, muitas vezes não comportando toda a produção de grãos e, mais ainda, com a qualidade que o mercado exige.

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Rafael Manzutti 

Os equipamentos de armazenagem inseridos na unidade armazenadora de grãos é um dos itens essenciais para a garantia da qualidade demandada para a comercialização destes grãos. As pragas são os principais contaminantes dos grãos durante a armazenagem que comprometem a comercialização, pois é exigido que os grãos a serem comercializados, tanto no mercado interno, quanto externo, estejam isentos destes contaminantes, ou seja devem atender a um padrão de qualidade. Para tanto, na atualidade, são notórias as exigências dos consumidores finais e importadores quanto à qualidade físico-química, nutricional e sanitária de alimentos, o que às vezes são causas de barreiras comerciais quando padrões vigentes não são considerados.

Em Mato Grosso, quando o assunto é armazenamento de grãos, a história não é diferente do resto do Brasil. Apesar de ter uma histórico agrícola relativamente novo, o estado revelou ao país e ao mundo sua vocação para a produção de grãos e a cada ano surpreende com números recordes.  Líder nacional na produção de soja, milho, algodão e girassol, tem uma área plantada que cresce a cada ano. Isso acontece porque os produtores rurais, incluindo agricultores e pecuaristas, estão cada vez mais bem informados no que se refere às tecnologias para aumentar a produtividade e a produção.

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Rafael Manzutti 

Considerando a margem de segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para Alimentação e Agricultura (FAO), que é de 20% em cima de tudo que se produz em grãos, em 2018, o déficit de armazenagem deve aumentar 38 milhões em Mato Grosso. O país tem capacidade para estocar até 157,6 milhões de toneladas, o que significa dizer que falta espaço para estocar mais de 32% do que já foi colhido, o que equivale a cerca de 75 milhões de toneladas.

Em Mato Grosso, os produtores buscam alternativas para armazenar o produto de forma adequada e mantê-lo com qualidade. A construção de armazéns nas fazendas é uma alternativa, mas para ser rentável é preciso que seja por meio de condomínio associação com vizinhos ou cooperativas formadas pelos agricultores. Caso contrário, o proprietário pode ter prejuízos ou uma preocupação a mais para manter a estrutura bem utilizada e sem causar prejuízo.

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Rafael Manzutti 

O processo de armazenagem de grãos exige mão de obra qualificada. Diante desta  necessidade, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (SENAR-MT), oferece o treinamento de Classificação, armazenagem e preservação de produtos de origem agrossilvipastoril. Este curso tem como objetivo mostrar aos participantes como armazenar grãos e oleaginosas, granel e em sacaria.

O conteúdo, que tem carga horária de 40 horas, é bem intensa e inclui assuntos como unidades armazenadoras de grãos, planejamento da unidade armazenadora e impactos ambientais. Mas não é só isso, os participantes têm a oportunidade de conversar sobre riscos e acidentes que podem ocorrer durante o trabalho, infraestrutura de recebimento dos grãos e beneficiamento da unidade armazenadora.  Máquinas de limpeza, avaliação da qualidade dos grãos como características físicas, fisiológicas e sanitárias, métodos de conservação dos grãos, funcionamento de fornalhas e secadores, manutenção preventiva de unidades armazenadoras e até métodos de controle de pragas de grãos fazem parte do conteúdo.

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Rafael Manzutti 

DICAS – Confira algumas dicas para fazer uma armazenagem de qualidade.

Prepare os silos – o primeiro passo para ter grãos de qualidade é garantir que os armazéns estejam devidamente preparados para receber o produto. Limpe os silos e se livre de quaisquer resíduos que possam ter insetos. Além disso, verifique as áreas sob o piso. Elas podem ser um ponto de abrigo para os insetos se abrigarem até a próxima safra.

Grãos com qualidade – a condição dos grãos durante a colheita determina se ele ficará bem armazenado ou não. No caso do milho, se o produtor pensa em armazenamento de longo prazo é importante começar com milho maduro e de boa qualidade.

Teor certo de umidade – É preciso ter muito cuidado com a porcentagem de umidade na hora de armazenar. O ideal é consultar um profissional da área para não cometer erros.

Aeração – A distribuição adequada de finos com um “spreader” de grãos ou praticando a carotagem repetitiva melhorará a aeração. Um “spreader” de grãos pode ser usado em silos com menos de 14,5 metros para espalhar as partículas finas. É importante ter os itens finos espalhados no silo, para que nem todos fiquem no centro.

Odor diferente – A prática recomendada há muito tempo é checar seus grãos semanalmente, principalmente quando se tem temperaturas elevadas. É importante observar se há alguma crosta ou cheiro perceptível. Um aumento na umidade da superfície muitas vezes é o primeiro sinal de problema. Se houver algo de errado, ligue os ventiladores de aeração. Um silo com ventilador de tamanho adequado terá fluxo de ar suficiente para secar uma pequena camada de umidade no topo.

Insetos – Outro motivo para verificar os grãos frequentemente é a presença de insetos. Em temperaturas mais quentes, os insetos se reproduzem com uma velocidade muito grande e, em dois dias pode virar uma infestação.

 

Fonte: A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Rural News, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ)

Utilização de taxa variável pode ajudar na redução de custos

Sempre quando se fala em melhoramento nas técnicas de manejo de um cultivo, a tecnologia de aplicação à taxa variável entra em questão. Este procedimento que ainda não é muito difundido em âmbito nacional é amplamente empregado no exterior, especialmente em países que possuem poucas áreas férteis e que necessitam obter máxima produtividade por hectare. A lista de benefícios para quem utiliza estas técnicas inclui redução de custos com insumos agrícolas e aumento da produtividade, esta técnica nem sempre parece atrair muito a atenção de produtores.

Como o nome sugere, este método de aplicação consiste em variar a taxa com que se aplica um produto em cada subárea dentro de um talhão. Na maioria dos casos, os produtos alvo deste tipo de manejo são os fertilizantes e herbicidas, podendo ser aplicado também para outros defensivos, irrigação ou plantação, conforme demanda.  Os primeiros usos desta tecnologia datam dos anos 1980, nos quais se mantinha a vazão de saída constante dos implementos, porém variava-se a velocidade do implemento para variar a quantidade aplicada em cada área. Isto permitia uma variação simples da dosagem, porém dependia integralmente na capacidade do operador em saber quais locais demandavam diferentes doses. Desde então, com o advento do GPS e sistemas capazes de variar a vazão do produto, a tecnologia da aplicação variável vem evoluindo em conjunto com avanços no ramo de sensoriamento remoto e aeronaves remotamente pilotadas (ARPs).

foto 1 - taxa variável

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Classificação de grãos é um problema que tem tirado o sono dos produtores

Classificação de grãos. Este é um assunto polêmico que está sempre presente nas reuniões, encontros e eventos do setor do agronegócio. Tem sido apontado como um problema grave e que tem “tirado o sono” dos produtores rurais. Além da discussão sobre a classificação de grãos propriamente dita, há ainda a reclamação de falta de mão de obra para fazer o trabalho. “É um problema que atinge todos, mas é importante destacar que cada caso é um caso”, diz o produtor rural Amarildo de Almeida Souza.

A Classificação de Grãos é um processo importante no ato da comercialização dos produtos de origem vegetal de uma propriedade rural. É onde se determina o Grupo, a Classe e o Tipo dos grãos avaliados, através de um profissional habilitado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Durante todo o processo produtivo, onde há um investimento significativo para se obter boa produtividade, essa etapa de classificação vem  garantir a qualidade que o produto apresenta no ato da comercialização, e tem por base análises específicas e, por comparação entre a amostra analisada e os padrões oficiais aprovados pelo Mapa. Com isso, se dá o deságio de acordo com os limites excedidos, aplicando assim os descontos nos lotes de grãos comercializados.

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Rafael Manzutti

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