Uso consciente de defensivos garante qualidade na olericultura

Os defensivos agrícolas são produtos eficazes no controle de pragas e doenças que atacam as plantações de uma forma geral. Na cadeia produtiva da olericultura não é diferente. Para que a utilização destes produtos seja segura e eficiente é necessário que o produtor cumpra algumas regras. Embora o assunto seja polêmico, os produtos são eficientes e seguros, desde que o uso seja feito de acordo com as orientações. Para que cheguem ao mercado a fim de serem comercializados, passam por um rigoroso processo de registro, que abrange testes de avaliação toxicológica supervisionado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Saúde, além de avaliação ambiental para averiguar qual seu impacto na atmosfera, no solo e na água. Além disso, o produto deve ser registrado junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Para obter sucesso na aplicação de defensivos agrícolas, é importante seguir boas práticas como a segurança na aplicação.  O primeiro passo é proteger o operador contra intoxicações que podem ser causadas por defensivos.

Embora isso não influencie na eficácia da aplicação dos produtos em si, seguir as normas relativas ao uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como luvas, avental e botas, garante a segurança total da operação.

Outro ponto importante é a segurança ambiental. O produtor deve ficar atento pois o uso consciente e correto dos defensivos contribui para uma produção mais sustentável e reduz o desperdício no uso de químicos na colheita. Por exemplo, quando o produtor trabalha acima dos limites de vento e temperaturas, ele perde o produto para o ambiente, por deriva.

Ser orientado por um profissional da área e escolher o produto certo é outro ponto que deve ser levado em consideração pelo produtor rural.  Cada cultura tem necessidades e riscos específicos. Sendo assim, é muito importante que o produtor escolha o produto com cuidado, cuja eficiência seja comprovada de acordo com os objetivos a serem alcançados.  O passo inicial é identificar quais doenças ou pragas poderiam causar danos àquela plantação específica. A partir de então, o produtor deve buscar conhecer os defensivos que sejam mais adequados a cada tipo de cultivo e praga. Além disso, é necessário verificar se o defensivo é registrado no Mapa.

A aplicação é outro ponto fundamental. A pulverização inadequada pode gerar custos adicionais ao produtor em virtude de desperdício de produtos, especialmente quando a área a ser coberta é muito grande. Por isso é preciso ficar atento ao clima, ao alvo, área alguns e também ao volume e a cobertura da área.

DICAS IMPORTANTES

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 – Uso excessivo e repetitivo dos mesmos defensivos – A aquisição de um produto para tratar uma praga específica, usando-o várias vezes na mesma safra não é adequada. Os defensivos são desenvolvidos para tratar alguns mecanismos de ação da praga ou doença. O uso indiscriminado faz com que o produto perca a eficiência com o tempo. A eficácia do químico começa acima dos 90% e chega até 100% em alguns casos e, ao longo dos anos, esse índice vai caindo por conta do uso repetitivo. Isso ocorre porque, com a aplicação excessiva e prolongada, inicia-se um processo de resistência em relação a alguns alvos. É necessário, portanto, que se apliquem métodos de manejo sustentáveis, diversificação de culturas e alternância ou rotação de defensivos que atuam de formas diferenciadas. Isso pode evitar que se desenvolvam pragas ou doenças resistentes na lavoura.

– Deriva – ocorre quando os defensivos agrícolas não atingem os locais desejados em razão do deslocamento do produto, seja por causa da ação do vento, que causa evaporação, deslocação ou escorrimento do produto no momento da aplicação. Esse problema pode acontecer em resultado do alto volume de defensivo aplicado, produzindo gotas grandes, além do tamanho que as superfícies foliares são capazes de reter. Com isso, as gotículas se juntam e escorrem para o solo. A deriva pode causar danos ambientais quando os defensivos se deslocam para culturas mais sensíveis, além de ser fonte de desperdício.

Mistura – Cerca de 95% dos produtores fazem misturas. Se no momento da combinação de produtos em tanque o produtor não souber como os químicos interagem e reagem entre si, ele pode comprometer a eficácia da aplicação. Na verdade, se todo o processo de pulverização não for realizado de maneira adequada, a eficiência dos produtos pode ser prejudicada.

Qualidade da água – A água utilizada na pulverização pode não ser capaz de preservar as propriedades químicas dos defensivos, diminuindo sua eficácia. Um dos fatores hídricos que estão envolvidos nisso é o pH, ou seja, sua acidez ou alcalinidade. Por exemplo, tem-se observado que herbicidas do grupo das imidazolinonas são absorvidas pelas folhas mais facilmente quando o pH da água está em torno de 4 ou 4,5. No entanto, outros fatores relativos à água também podem influenciar, sendo assim é preciso ficar atento ao teor de cálcio, argila e outras substancias presentes na água utilizada na aplicação dos defensivos agrícolas.

Fonte: Engenheiro agrônomo especializado em Proteção de Planta – Daniel Petreli.

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