Armazenamento adequado garante grãos de qualidade

Terra boa, clima favorável, tecnologia e grandes áreas. Tudo isso torna Mato Grosso um dos maiores produtores de grãos do Brasil.  Com uma história agrícola relativamente nova, o estado revelou ao país e ao mundo sua vocação para a produção de grãos e a cada ano surpreende com números recordes.  Líder nacional na produção de soja, milho, algodão e girassol, tem uma área plantada que tem crescido ano a ano. Isso acontece porque os produtores rurais, incluindo agricultores e pecuaristas, estão cada vez mais bem informados no que se refere às tecnologias para aumentar a produtividade e a produção.

Considerando a margem de segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para Alimentação e Agricultura (FAO), que é de 20% em cima de tudo que se produz em grãos, em 2018, o déficit de armazenagem deve aumentar 38 milhões em Mato Grosso. A falta de locais adequados para armazenar os grãos é um problema que aflige todo o Brasil. O país tem capacidade para estocar até 157,6 milhões de toneladas, o que significa dizer que falta espaço para estocar mais de 32% do que já foi colhido, o que equivale a cerca de 75 milhões de toneladas.

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Em Mato Grosso, os produtores buscam alternativas para armazenar o produto de forma adequada e mantê-lo com qualidade. A construção de armazéns nas fazendas é uma alternativa, mas para ser rentável é preciso que seja feita por meio de condomínio associação com vizinhos ou cooperativas formadas pelos agricultores. Caso contrário, o proprietário pode ter prejuízos ou uma preocupação a mais para manter a estrutura bem utilizada e sem causar prejuízo.

O processo de armazenagem de grãos exige mão de obra qualificada. Diante desta  necessidade o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (SENAR-MT), oferece o treinamento de Classificação, armazenagem e preservação de produtos de origem agrossilvipastoril. Este curso tem como objetivo mostrar aos participantes como armazenar grãos e oleaginosas, granel e em sacaria.

O conteúdo, que tem carga horária de 40 horas, é bem intensa e inclui assuntos como unidades armazenadoras de grãos, planejamento da unidade armazenadora e impactos ambientais. Mas não é só isso, os participantes têm a oportunidade de conversar sobre riscos e acidentes que podem ocorrer durante o trabalho, infraestrutura de recebimento dos grãos e beneficiamento da unidade armazenadora.  Máquinas de limpeza, avaliação da qualidade dos grãos como características físicas, fisiológicas e sanitárias, métodos de conservação dos grãos, funcionamento de fornalhas e secadores, manutenção preventiva de unidades armazenadoras e até métodos de controle de pragas de grãos fazem parte do conteúdo.

Os interessados em saber mais sobre os 357 produtos educacionais ofertados pelo SENAR-MT, deve procurar o Sindicato Rural de seu município ou a prefeitura que são os principais parceiros da instituição. Para conhecer melhor o conteúdo dos treinamentos acesse http://www.senarmt.org.br

Há diversas formas de armazenar grãos. Antes de fazer a escolha é importante consultar um profissional da área para investir no que é mais adequado para atender à necessidade de cada produtor. “Temos os silos elevados, os metálicos, os armazéns graneleiros, silos bolsas e móveis”. Confira as características de cada um deles:

Silos elevados

Economia de espaço.

Baixa transmissão de calor para massa de grãos.

Melhor conservação dos grãos.

Alto custo e longo tempo de instalação.

Elevado custo de manutenção.

Silos Metálicos

Custo por tonelada inferior ao silo de concreto.

Maior flexibilidade operacional.

Maior facilidade de movimentação da massa de grãos.

Maior transmissão de calor, podendo ocorrer condensação dependendo das condições climáticas.

Armazém graneleiro

Menor custo por tonelada instalada.

Rapidez de execução.

Capacidade de armazenar grandes volumes.

Menor versatilidade na movimentação de grãos.

Possibilidade de ocorrer dificuldade de aeração

Silos bolsas

Baixo custo operacional.

Operacional.

Possibilitam separar a safra por lotes e qualidades diferentes.

Otimizam a logística durante a colheita.

Conservam a qualidade dos grãos.

Necessidade de máquinas especificas.

Vulnerabilidade a agentes externos

Silos Móveis

Baixo custo em relação aos demais sistemas de armazenagem.

Baixo custo de manutenção.

Rapidez de instalação e desmontagem.

Capacidade de armazenagem limitada.

Necessidade de equipamentos móveis para carga e descarga.

Vida útil menor em relação aos sistemas de armazenagem fixos.

DICAS – Confira algumas dicas essenciais utilizadas no preparo dos silos para armazenar grãos de qualidade. É preciso se preocupar com o teor certo de umidade e aeração

Prepare os silos – o primeiro passo para ter grãos de qualidade é garantir que os armazéns estejam devidamente preparados para receber o produto. Limpe os silos e se livre de quaisquer resíduos que possam ter insetos. Além disso, verifique as áreas sob o piso. Elas podem ser um ponto de abrigo para os insetos se abrigarem até a próxima safra.

Grãos com qualidade – a condição dos grãos durante a colheita determina se ele ficará bem armazenado ou não. No caso do milho, se o produtor pensa em armazenamento de longo prazo é importante começar com milho maduro e de boa qualidade.

Teor certo de umidade – para armazenagem de grãos de longo prazo, será necessário secar bem os grãos. É preciso ter muito cuidado com a porcentagem de umidade na hora de armazenar. O ideal é consultar um profissional da área para não cometer erros.

Melhore a aeração – A distribuição adequada de finos com um “spreader” de grãos ou praticando a carotagem repetitiva melhorará a aeração. Um “spreader” de grãos pode ser usado em silos com menos de 14,5 metros para espalhar as partículas finas. É importante ter os itens finos espalhados no silo, para que nem todos fiquem no centro. Depois do final da colheita, empurre os silos com grãos no pico para baixo para que o centro fique logo abaixo do milho na parede. O grão parecerá com um “M” quando visto de lado. Isso ajuda a levar movimento de ar para o centro e facilita a remoção de materiais finos e estranhos do meio do silo.

Verifique os grãos frequentemente – A prática recomendada há muito tempo é checar seus grãos semanalmente, principalmente quando se tem temperaturas elevadas. É importante observar se há alguma crosta ou cheiro perceptível. Um aumento na umidade da superfície muitas vezes é o primeiro sinal de problema. Se houver algo de errado, ligue os ventiladores de aeração. Um silo com ventilador de tamanho adequado terá fluxo de ar suficiente para secar uma pequena camada de umidade no topo.

Observe se há insetos – Outro motivo para verificar os grãos frequentemente é a presença de insetos. Em temperaturas mais quentes, os insetos se reproduzem com uma velocidade muito grande e, em dois dias pode virar uma infestação.

Fonte: A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, Site – SF Agro

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