Febre Aftosa: Produtores começam uma nova história na pecuária mato-grossense

Está prevista para o próximo ano e deve prosseguir até 2021 a retirada da vacinação contra a febre aftosa no rebanho de Mato Grosso e de todo o Brasil. Diante desse panorama, o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) pretende realizar campanhas de “atualização de estoques” do rebanho entre os pecuaristas. Atualmente, é por meio da declaração de vacinação, entregue pelos criadores a órgãos oficiais, que os governos estaduais e federal conseguem projetar o tamanho dos rebanhos. Sem a campanha da aftosa, a coleta de dados ficaria dificultada.

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Com isso, em 2017, o Indea editou um decreto prevendo que, a partir do momento da retirada da vacinação, as campanhas passarão a ser de ‘atualização de estoques’, e não mais de imunização do rebanho. Os produtores terão de comparecer aos escritórios do Indea duas vezes ao ano, para declarar seu rebanho, por quantidade e sexo. O instituto vai fiscalizar essas declarações por amostragem, da mesma forma como é feito hoje nas campanhas de vacinação. Mato Grosso faz parte do Bloco 5 – o último – do plano de retirada da vacinação e o fim da aplicação está previsto para junho 2021. O Brasil espera ter reconhecimento de livre sem vacinação em 2023.

Em 2017, os abates em Mato Grosso cresceram cerca de 5%, para 4,6 milhões de cabeças. O Brasil deve ser reconhecido país livre de aftosa com vacinação no próximo dia 20 de maio, durante a Assembleia Geral da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). A partir de então, o governo deve dar sequência ao plano de retirada total da vacina, com o objetivo de ampliar mercados internacionais para a carne bovina brasileira.

O Brasil receberá o certificado internacional de zona livre de febre aftosa com vacinação, abrangendo os estados do Amapá, Roraima, partes do Amazonas e Pará. Com isso, o processo de implantação de zonas livres de febre aftosa alcança toda a extensão territorial brasileira e o país torna-se oficialmente Livre da Febre Aftosa.

A partir de maio de 2019, o Acre e Rondônia, além de municípios do Amazonas e Mato Grosso, iniciam a suspensão da vacinação. A previsão é que os produtores parem de vacinar o rebanho após maio de 2021 e o país inteiro seja reconhecido pela OIE como livre de aftosa sem vacinação até maio de 2023.

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A última ocorrência de febre aftosa em Mato Grosso foi registrada em 1996. E desde o ano 2000, o estado é reconhecido internacionalmente pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como livre de febre aftosa com vacinação. Para alcançar esse status, foi necessário unir forças de toda a cadeia produtiva e muito trabalho.

De acordo com dados do Indea divulgado em 2016, ao todo são 104 mil propriedades cadastradas junto ao Instituto. Em novembro de 2015 equipes das 13 regionais do Indea espalhadas por todas as regiões do estado acompanharam a vacinação em 3.242 propriedades rurais, localizadas em regiões consideradas de vulnerabilidade, como assentamentos rurais, zonas de fronteira, no Pantanal e na Ilha do Bananal.

Cerca de 1,06 milhão de animais tiveram a imunização realizada, fiscalizada ou assistida por técnicos do órgão. Na região da fronteira com a Bolívia, 44 equipes acompanharam a vacinação de 531 mil animais em 777 fazendas nos municípios de Cáceres, Porto Esperidião e Vila Bela.

Do total de propriedades ruarais, 2.049 deixaram de cumprir com a obrigação de vacinar na etapa de novembro. Isso representa 1,97% das fazendas cadastradas no Indea, totalizando apenas 0,4% do rebanho.

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FEBRE AFTOSA – é uma doença infecciosa causada por vírus. Ela atinge animais de cascos bipartidos, como bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos e suínos. O vírus da febre aftosa é altamente contagioso e pode ser transmitido através da baba do animal, que contém grande quantidade de vírus. O sangue dos animais infectados também contém grande quantidade de vírus durante a fase inicial da doença. O vírus dessa doença é muito resistente, podendo resistir por meses na medula óssea do animal (mesmo depois de morto), no pasto, na farinha de ossos e no couro.

A doença também pode ser transmitida por contato indireto, através de alimentos, água, ar, pássaros e humanos que cuidam dos animais, e que podem levar os vírus em suas mãos, roupas ou calçados, e infectar animais sadios.

Os primeiros sintomas apresentados pelo animal são febre alta e perda do apetite, seguidos de aftas na boca, na gengiva ou na língua, e principalmente por feridas nos cascos ou nos úberes. O animal baba muito, contaminando todo o ambiente e tem grande dificuldade para se alimentar e para se locomover, em razão das feridas nos cascos. A produção de leite, o crescimento e a engorda ficam prejudicados. A intensidade da doença é variável, mas sabe-se que ela atinge mais animais jovens, principalmente os que estão em aleitamento.

Fontes – Estadão Conteúdo, Brasil Escola

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