Pesquisa aponta dezenas de espécies para reflorestamento em Mato Grosso

Uma pesquisa feita pela Empresa Mato-grossense de Pesquisa Assistência e Extensão Rural (Empaer), em 2016 aponta as espécies mais indicadas para o reflorestamento em Mato Grosso. A lista é grande e inclui a fava barriguda, peroba, mica, tatajuba, castanheira, teca, eucalipto, ipês, jacarandá do cerrado, pata de vaca, cajazinho, aroeira, bordão de velho, cedro rosa, chico magro, chimbuva, embaúva, gonçaleiro e uma dezenas de outras espécies. As frutíferas também têm sido bastante utilizadas no reflorestamento de pequenas áreas. As mais cotadas são a acerola, caju, mangueira, pitomba e tamarindo. Durante 20 anos, foram avaliadas 30 espécies, sendo 23 nativas e sete exóticas. A pesquisa realizada no Centro Regional de Pesquisa e Transferência de Tecnologia da Empaer, no município de Sinop, a cerca de 500 quilômetros de Cuiabá, revela que o maior volume de madeira foi obtido com as árvores, fava barriguda, peroba mica, tatajuba e castanheira.

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Fotos: Divulgação

O pesquisador da Empaer, Eliazel Vieira Rondon conta que Mato Grosso possui mais de 200 mil hectares de reflorestamento com as espécies de eucalipto, teca e seringueira. Segundo ele, o que surpreendeu durante a pesquisa foi o comportamento das espécies mais plantadas no Estado, que ficou abaixo do esperado.  Nesses 20 anos de estudo foram identificadas as espécies com maiores índices de mortalidade e também as que mais se adaptaram ao solo e clima do norte de Mato Grosso. Ainda de acordo com o pesquisador, para se ter o retorno econômico dessas espécies é necessário fazer uma supervisão dos plantios anualmente. Caso o índice de mortalidade ultrapasse 50% é importante efetuar o corte raso em todo plantio.

Outra dica do pesquisador é que em plantio comercial é importante ficar atento com o volume das espécies plantadas e pensar sempre no lado financeiro. Os resultados alcançados no experimento servem para direcionar os futuros reflorestamento no estado. Vieira explica que a madeira de fava barriguda pode ser utilizada para fabricação de compensados, móveis, caixotaria e brinquedos. Além disso, também possui potencial para produção de polpa celulósica e papel.  Já a tatajuba tem utilidade na construção civil. A castanha do brasil, embora tenha um crescimento inicial lento, produz a amêndoa que é fonte de proteína e sais minerais.

É importante destacar que há dois tipos básicos de reflorestamento: aquele com fins lucrativos, voltado à plantação de eucalipto e madeira para extração de celulose, e o reflorestamento destinado à recuperação de áreas degradadas. Vale ressaltar que o reflorestamento é muito importante para o meio ambiente, uma vez que garante a preservação de lençóis freáticos, do solo, da qualidade do ar, além de diversos outros benefícios ambientais. Além disso, ainda garante a preservação e recuperação de ecossistemas degradados, controle da erosão do solo, prevenção de deslizamentos de terra e dezenas de outras vantagens.

De acordo com dados da Associação de Reflorestadores de Mato Grosso – Arefloresta – o Brasil tem cerca de 7 milhões de hectares de florestas plantadas com eucalipto, pinus e diversas outras espécies. Esta área pode ser ampliada para 16 milhões, em 10 anos, o que demandaria investimentos de R$ 40 bilhões e geraria cerca de 200 mil empregos no meio rural. Em paralelo, a este panorama, é necessário o desenvolvimento de diversos outros segmentos da indústria consumidora de madeira, o que poderia representar investimentos da ordem de US$ 80 bilhões, até 2020, e a geração de estimados mais 800 mil empregos, nos meios urbano e rural.

Além disso, ainda de acordo com dados da Associação, os produtos de origem florestal podem triplicar a contribuição atual para a pauta de exportação, saltando dos atuais cerca de US$ 7 bilhões, o que equivale a 3,2% do comércio mundial, para algo em torno de US$ 20 a 25 bilhões, cerca de 10% do comércio mundial atual. O potencial de contribuição das florestas plantadas para o desenvolvimento social e econômico do Brasil pode ser apreciado pelo fato de que a área dedicada à silvicultura intensiva ainda é de apenas 0,7 % do território nacional.

As estimativas atuais apontam que atualmente são 60 mil ha de teca plantada em Mato Grosso. Para o eucalipto estima-se pouco mais de 100 mil ha de área plantada e para a seringueira acredita-se que a área se mantém estável, ou seja, cerca de 45 mil há de área plantada. O pau-de-balsa é outra espécie que tem sido bastante utilizada. Além disso, é importante dizer que Mato Grosso é o estado com maior área plantada de teca e tem se destacado pela produção dessa madeira nobre e pela tecnologia da silvicultura.

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Para capacitar profissionais para atuarem neste setor o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (SENAR-MT) oferece 10 treinamentos. Dentre eles, o de florestamento e reflorestamento, o de implantação de florestas comerciais e também o de manejo de florestas plantadas. Os interessados em fazer estes treinamentos devem procurar o Sindicato Rural de seu município para verificar se há turmas previstas e se há vagas.

Fonte – Empaer e Arefloresta.

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