Setor de qualificação de grãos está em plena expansão

A classificação de grãos é um processo que fiscaliza a qualidade dos produtos vendidos pelo produtor a uma cooperativa, cerealista, trading ou indústria. E essa sempre foi uma preocupação para o produtor rural. Se o grão de soja não estiver de acordo com os parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o agricultor pode ter o desconto no pagamento da carga.

Como a estimativa de produção de grãos para a safra 2017/2018 ser de 223,3 a 227,5 milhões de toneladas, os produtores têm buscado, cada vez mais,  informações, orientações e treinamentos para entender melhor como funciona essa área de classificação de grãos. Diante deste panorama, a demanda para estes treinamentos junto ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (SENAR-MT) tem crescido.

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Em fevereiro os Sindicatos Rurais de Água Boa, Canarana e Querência realizaram treinamentos nesta área e capacitaram mais de 30 pessoas. O objetivo é mostrar aos participantes como se classifica estes produtos utilizando a legislação específica. O conteúdo inclui assuntos como origem e fisiologia destas culturas, avaliação da qualidade e regulamento técnico para execução da classificação dos grãos.

Mas não é só isso. No treinamento de 40 horas, o instrutor também fala sobre os principais equipamentos utilizados para a classificação de soja e milho, determinação de grupo, matérias estranhas, impurezas, umidade e dos defeitos leves e graves. Os participantes também aprendem como se preenche um laudo e ainda discutem sobre saúde e segurança no trabalho, ética e cidadania.

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Durante a realização do projeto Soja Brasil, em Mato Grosso, nos meses de novembro de 2017 e janeiro de 2018, uma das perguntas feitas ao longo das palestras era se a classificação de grãos podia ser um problema para os produtores rurais. O “sim” foi uma resposta unânime nos 18 municípios onde a pergunta foi feita.

O produtor rural Marcos André Bertol, de 35 anos, que produz atualmente 750 hectares de soja e milho, em Água Boa, conta que ingressou no treinamento de Classificação de produtos de Origem vegetal – soja e milho ofertado pelo Sindicato Rural em parceria com o SENAR-MT para ter condições de acompanhar de perto a classificação de sua safra. “Eu sempre tive muitas dúvidas sobre as avarias apresentadas. Bertol acrescenta que ao entender como é feita esta classificação fica mais fácil contestar descontos, em caso deles serem feitos de forma indevida.

 

O instrutor credenciado junto ao SENAR-MT Gilberto Keres, explica que a classificação de grãos determina o quanto o produtor está ganhando ou perdendo. “É uma atividade que avalia a qualidade do produto e auxilia o agricultor no momento em que ele o entrega em uma unidade de recebimento”.

Segundo os presidentes dos Sindicato Rural de Canarana Arlindo Cancian e de Água Boa, Antônio Fernandes de Mello, popularmente conhecido como Tunico, nos últimos anos a procura por classificadores de grãos capacitados tem aumentado gradativamente. “E, consequentemente, a demanda por treinamentos também aumenta junto ao SENAR-MT”, ressalta Cancian.

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Osmar Frizzo, presidente do Sindicato Rural de Querência, acrescenta que a falta de profissionais capacitados e qualificados em classificação de grãos tem sido uma das maiores deficiências no município. “Para se ter uma ideia nós tivemos dificuldade em encontrar classificador para trabalhar para o Sindicato, conseguimos por meio de um associado e estamos investindo neste profissional”.

Para a instrutora credenciada junto ao SENAR-MT, Tânia Regina de Oliveira o início de cada safra a situação fica ainda mais crítica para o produtor.  Cancian enfatiza que foi por isso que o Sindicato Rural de Canarana programou o treinamento para este mês de fevereiro, antes de começar a colheita. “Os participantes já saem do curso preparados para atuar na safra deste ano, trazendo total segurança para os produtores na classificação”.

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De acordo com os presidentes dos Sindicatos Rurais há vários casos de profissionais que já atuam na área e querem se capacitar para mudar de profissão. É o caso de Luciano Borges, de 27 anos. Ele trabalha como segurança em um armazém, em Canarana, e viu no treinamento de Classificação de produtos de origem vegetal – soja e milho a oportunidade de agregar valor ao seu currículo e mudar de setor.

Já para Rafaela Godoi Rodrigues Alves, de 19 anos, o treinamento de classificação de produtos de origem vegetal é uma “porta de entrada” para o mercado de trabalho. “Para entrar nessa área preciso estar muito bem capacitada”, enfatiza.

Para os próximos 60 dias há 11 treinamentos de classificação de produtos de origem vegetal programados. Os interessados devem procurar o Sindicato Rural de seu município para ver se há turmas previstas e se há vagas.

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