Faltam profissionais qualificados para atuarem na área técnica

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1% no primeiro trimestre de 2017 se comparado ao quarto trimestre de 2016. Neste mesmo período, o agronegócio cresceu 13,4%. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Ceged), órgão ligado ao Ministério do Trabalho, o setor agropecuário foi o que novamente ajudou a segurar as pontas da economia brasileira desacelerando o crescente desemprego no Brasil.

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Representante de cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB), o setor agropecuário é carente de mão de obra qualificada e, portanto, promissor quando o assunto é posto de trabalho. No entanto, a expansão do setor não tem encontrado profissionais devidamente qualificados para atuarem na produção, gestão, distribuição e processamento dos produtos do campo.

E quando se trata de mão de obra técnica a carência é ainda maior. A coordenadora de Desenvolvimento Organizacional do Grupo Bom Futuro, Simoni Lala Veras, conta que existe uma demanda muito grande para a área técnica e que ainda falta profissionais para atuarem neste setor.

 

Segundo ela, no primeiro semestre deste ano visitou algumas escolas técnicas em busca de pessoas para fazerem estágios ou profissionais técnicos recém-formados para trabalharem no Grupo Bom Futuro. “Não encontramos. A maioria termina o ensino médio e busca a graduação. Sendo assim, quando se dispõem a trabalhar querem um emprego em propriedades rurais próximas das cidades que tenham universidades ou faculdades”.

Para a coordenadora, essa carência de mão de obra técnica qualificada é preocupante. Simoni conta que a solução para o grupo Bom Futuro tem sido buscar mão de obra em outros estados. “Percebemos que está acontecendo uma mudança de cultura. Os jovens que estão se formando querem tudo mais rápido. Eles preferem um retorno financeiro mais rápido. Apesar disso, ainda temos dificuldades de encontrar profissionais técnicos”.

Pesquisas mostram que na área técnica, aqueles que ocupam funções no campo são os melhores remunerados com salário que varia a partir de R$ 1.875,00, seguidos por trabalhadores das indústrias do agronegócio que ganham em média R$ 1.759. Em terceiro lugar vem a indústria em geral com salário médio de R$ 1.508 e em quarto, o comércio com R$ 1.284.

Técn. Agronegócio -Imagem

Diante desse panorama, muitos profissionais que almejam alcançar destaque no mercado têm buscado cursos técnicos. De acordo com uma pesquisa feita pela empresa de consultoria e recrutamento, Page Personnel, nos quatro primeiros meses deste ano, a procura por profissionais que possuem um curso dessa modalidade no currículo cresceu 15% em relação ao mesmo período do ano passado.

Para a técnica em Agropecuária, Cristiane Duarte da Silva, de 34 anos, formada faz mais de 10 anos, o curso técnico foi a solução para atender suas necessidades financeiras com mais rapidez. “Além disso também precisava agilizar meu lado profissional. E assim que formei comecei a trabalhar com assistência técnica. Hoje sou instrutora do SENAR-MT”.

Cristiane destaca que o curso técnico abriu as portas do mercado. Além do salário, outro ponto importante para o técnico é a prática. Segundo ela, quanto mais experiente for o profissional, maior é o salário. “Vale dizer que os empregadores querem pessoas que saibam fazer o serviço e o curso técnico tem muita prática. Além disso, é um mercado muito bom. Desde que me formei, nunca me faltou trabalho”, enfatiza.

A reclamação de falta de mão de obra qualificada para a área técnica no setor agropecuário vem de todos os lados. O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Mato Grosso (Fetagri), Nilton Macedo diz que para atender toda a demanda que recebe teria que ter escolas técnicas em todos os municípios mato-grossenses.

05 - Jul - Reunião Presidente da Fetagri, Nilton Macedo (6)

Ele conta ainda que em parceria com o com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (SENAR-MT) e Governo do Estado já implantou o Curso Técnico em Agropecuária – com ênfase em agricultura familiar em Várzea Grande, Nova Canãa, Nova Bandeirantes e Alto da Boa vista. “Já formamos três turmas e em 2017 teremos mais três formaturas”.

Macedo sonha em ampliar o projeto e diz que quer levar o curso para as cidades mais distantes, onde existe uma dificuldade maior de acesso às faculdades e às universidades.  “Nossa expectativa, é abrir pelo menos mais 10 escolas em Mato Grosso”.

Diante dessa necessidade do mercado, muitos graduados já procuram cursos técnicos com o intuito de aumentar a empregabilidade e estreitar a distância entre a teoria da universidade e a prática exigida pelo mercado de trabalho. Foi pensando nesse tipo de qualificação que o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em parceria com o Ministério da Educação (MEC), criou o Curso Técnico em Agronegócio da Rede e-Tec Brasil.

Com o curso, a instituição espera formar profissionais habilitados não só nos conhecimentos das cadeias produtivas, como também na aplicação dos procedimentos de gestão e de comercialização do agronegócio. Em Mato Grosso o curso é oferecido nos Centros de Treinamentos e Difusão Tecnológica de Sorriso e de Campo Novo do Parecis.

coordenadora de educação formal - SENAR - Brasil - Maria Cristina Ferreira.

A coordenadora de educação formal, do SENAR-Brasil Maria Cristina Ferreira, conta que no primeiro processo seletivo do curso técnico de Agronegócio foram matriculadas 950 pessoas. “Em menos de dois anos temos 10 mil pessoas matriculadas neste curso. Diante destes números é possível ter uma noção do quanto o mercado está carente de mão de obra qualificada e de quanto a demanda é grande em praticamente todo o Brasil”.

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