Pecuária enfrenta crise e a expectativa a curto prazo é a incerteza

Com vários impactos fortes no primeiro semestre, o setor da pecuária amarga momentos de crise e, para piorar ainda mais a situação, o futuro é incerto. A expectativa de melhora está prevista para médio prazo, o que significa cerca de três anos. Apesar de muitos pontos negativos, os produtores continuam investindo em vários setores para manter a qualidade da carne mato-grossense.

Daniel Latorraca - superintendente do Imea - 2

O superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), que é parte do Sistema Famato/SENAR-MT, Daniel Latorraca, faz uma análise profunda do setor pecuário. Ele pontua os impactos, fala um pouco do futuro e aposta na competência dos produtores para superar mais esta crise da bovinocultura de corte.

Latorraca explica ainda que os primeiros seis meses do ano é um período onde a oferta é grande e, com isso, o preço da arroba do boi cai um pouco. Porém, em 2017, outros fatores como a Operação Carne Fraca, o envolvimento dos empresários do Grupo JBS no escândalo político e o embargo dos Estados Unidos para a compra da carne brasileira transformaram a queda dos preços em uma crise para o setor.

Bovinocultura de Corte - Baixa Resolução- Rafael Manzutti (17)

O preço da arroba despencou de R$ 136,00, em janeiro, para R$ 117,00 nesta primeira semana de julho.  Segundo Latorraca, uma leve queda nos preços no primeiro semestre de cada ano é natural e histórica. “É um período que se tem mais disponibilidade de animais para o abate, incluindo machos e fêmeas. É o que chamamos de safra do boi, mas este ano, os valores despencaram”, enfatiza.

O primeiro impacto foi a operação Carne Fraca que de certa forma influenciou o mercado interno que responde por 75% do consumo da produção mato-grossense. Porém Latorraca lembra que a economia brasileira já vinha passando por uma recessão. “O Produto Interno Bruto (PIB) teve queda dois anos seguidos. Em 2015 houve um recuo de 3.8% e, em 2016 foi de 3.6%.  Isso já tinha impactado o mercado interno. Mas é fato que a operação Carne Fraca ajudou a piorar a situação”.

Mas na opinião de Latorraca, o que provocou maior impacto no setor pecuário e ainda causa incerteza para o futuro foi o envolvimento do Grupo JBS na crise política brasileira. “A delação dos empresários do JBS foi o maior golpe que o setor pecuário sofreu em 2017. Afinal, este grupo é responsável por 51% do abate e, para algumas regiões de Mato Grosso, é a única opção”, lembra.

Bovinocultura de Corte - Baixa Resolução- Rafael Manzutti (11)

E para fechar o semestre com “chave de ouro”, os Estados Unidos embargaram a compra da carne brasileira. É importante destacar que Mato Grosso exporta, atualmente, 25% de sua produção. Esse número cresceu 5% nos dois últimos anos. “A exportação segura a queda do preço da arroba do boi. Acredito que é fundamental para a sustentabilidade econômica do Estado”, enfatiza o superintendente do Imea.

E quando se olha para o futuro as boas notícias só vão começar a chegar a médio e longo prazo.  Latorraca explica que com a crise instalada no Grupo JBS não se sabe, ao certo, o que vai acontecer no mercado da carne bovina mato-grossense.

Mas sempre é preciso olhar o lado bom de todas as situações. Assim sendo, Latorraca destaca que a situação do JBS fez com que outros grupos já começassem a investir neste mercado. Algumas empresas estão se reposicionando e voltaram a investir no mercado. Os médios e pequenos estão voltando às suas atividades para complementar o abate que já está em queda nas plantas do Grupo JBS.

Mas como sempre há uma luz no fim do túnel, a medida do Governo do Estado de baixar a alíquota do gado vivo em pé de 7% para 4% pode minimizar o “sofrimento” do pecuarista.  Outro ponto positivo para o setor foi a evolução do dólar. “Querendo ou não isso ajudou a recuperar mais rápido as exportações logo após a operação Carne Fraca”.

Bovinocultura de Corte - Baixa Resolução- Rafael Manzutti (6)

Latorraca divide o futuro em curto e médio prazo. Na opinião dele, assim a análise pode ficar um pouco mais positiva. A curto prazo, segundo ele, os indicadores apontam que o setor pecuário ainda pode sofrer alguns abalos.  “Como a economia não deve crescer no ritmo que esperávamos, o consumo interno também continua em baixa”.

Porém o superintendente destaca que a pecuária é muito forte e, apesar das crises, vai continuar evoluindo. “Já vimos este setor sobreviver à dificuldades muito maiores como, por exemplo, a redução drástica das áreas de pastagens e várias outras que abalaram seriamente os pecuaristas. Apesar disto, a produtividade e produção sempre foram mantidas”.

Nos últimos anos, ao olhar para o setor se vê a conquista de muitos pontos positivos como o abate de animais mais jovens. “Isso é resultado de investimento em genética e novos sistemas de produção que são implantados, dentro das propriedades”.

A médio prazo, o que significa cerca de três anos, o cenário da pecuária volta a ser positivo. “O mundo continua consumindo carne brasileira e o produtor investindo em tecnologia, sistemas de produção, gestão da propriedade e qualificação da mão de obra”.

FERRAMENTAS QUE PODEM AJUDAR O PECUARISTA A MINIMIZAR A CRISE

Boas Práticas Agropecuárias (BPA) –  é um programa oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso em parceria com os Sindicato de Produtores Rurais. O objetivo é levar conhecimento para as empresas rurais que querem tornar seu sistema de produção mais rentável e competitivo. Podem participar produtores rurais, gerentes de fazendas e/ou encarregados. A carga horária é de 116 horas, divididos em sete módulos.

O conteúdo do programa inclui assuntos como gestão econômica e financeira da propriedade, obrigações sociais, trabalhistas, saúde e segurança no trabalho, gestão ambiental, instalações rurais, manejo e bons tratos na produção animal, formação e manejo de pastagens, suplementação alimentar, identificação animal e rastreamento, controle sanitário e manejo reprodutivo. Para saber mais sobre o programa consulte o www.senarmt.org.br ou entre em contato com o Sindicato de Produtores Rurais do seu município.

Bovinocultura de Corte - Baixa Resolução- Rafael Manzutti (3)

Estrutura computadorizada identifica animais com melhor conversão alimentar – Pesquisadores da Embrapa estão utilizando uma estrutura computadorizada, formada por cochos eletrônicos e estações de pesagem, para identificar os animais que possuem melhor conversão alimentar.

Bovinos eficientes produzem mais carne e têm menor custo de produção. O estudo sobre conversão é antigo, porém é inédita a utilização dessas ferramentas, principalmente, nas dimensões propostas. “É a primeira vez que pesquisamos eficiência alimentar em larga escala na Embrapa, graças ao avanço tecnológico”, afirma o líder da pesquisa, Luiz Otávio Campos da Silva, da Embrapa Gado de Corte (MS).

Ele explica que a eficiência é a relação entre o que o indivíduo consome e o seu posterior ganho de peso. Para isso, é preciso medir quanto do alimento que o animal comeu foi convertido em carne. O cientista frisa que essa medição requer investimento, equipamento e recursos humanos especializados. Saiba mais sobre essa pesquisa no http://www.agenciaembrapa.com.br

 

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