Investir em boas práticas de armazenagem é garantir a qualidade do grão

Armazenar adequadamente consiste em manter a guarda e conservação dos produtos alimentícios de acordo com os padrões de qualidade. A armazenagem de grãos é parte importante do agronegócio, portanto, deve ser incorporada ao processo da cadeia produtiva, que vai desde o plantio até a comercialização e industrialização. Estima-se que no Brasil 20% da produção anual de grãos seja perdida entre a colheita e o armazenamento.

O Brasil nos últimos anos tem se destacado no comércio internacional como exportador de commodities agrícolas. E grande parte da produção de grãos do Brasil é destinada as cadeias produtivas de carnes, como é o caso da produção de milho estimada em 55 milhões de toneladas ano, em que 70% é destinada a avicultura, 24% à suinocultura, 4% à bovinocultura e 2% à alimentação humana e exportação. O Brasil apresenta crescimento da produção de grãos a cada ano, suprindo o mercado interno e ainda atuando no internacional. No entanto, a capacidade de armazenagem continua estática, muitas vezes não comportando toda a produção de grãos e, mais ainda, com a qualidade que o mercado exige.

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Rafael Manzutti 

Os equipamentos de armazenagem inseridos na unidade armazenadora de grãos é um dos itens essenciais para a garantia da qualidade demandada para a comercialização destes grãos. As pragas são os principais contaminantes dos grãos durante a armazenagem que comprometem a comercialização, pois é exigido que os grãos a serem comercializados, tanto no mercado interno, quanto externo, estejam isentos destes contaminantes, ou seja devem atender a um padrão de qualidade. Para tanto, na atualidade, são notórias as exigências dos consumidores finais e importadores quanto à qualidade físico-química, nutricional e sanitária de alimentos, o que às vezes são causas de barreiras comerciais quando padrões vigentes não são considerados.

Em Mato Grosso, quando o assunto é armazenamento de grãos, a história não é diferente do resto do Brasil. Apesar de ter uma histórico agrícola relativamente novo, o estado revelou ao país e ao mundo sua vocação para a produção de grãos e a cada ano surpreende com números recordes.  Líder nacional na produção de soja, milho, algodão e girassol, tem uma área plantada que cresce a cada ano. Isso acontece porque os produtores rurais, incluindo agricultores e pecuaristas, estão cada vez mais bem informados no que se refere às tecnologias para aumentar a produtividade e a produção.

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Rafael Manzutti 

Considerando a margem de segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para Alimentação e Agricultura (FAO), que é de 20% em cima de tudo que se produz em grãos, em 2018, o déficit de armazenagem deve aumentar 38 milhões em Mato Grosso. O país tem capacidade para estocar até 157,6 milhões de toneladas, o que significa dizer que falta espaço para estocar mais de 32% do que já foi colhido, o que equivale a cerca de 75 milhões de toneladas.

Em Mato Grosso, os produtores buscam alternativas para armazenar o produto de forma adequada e mantê-lo com qualidade. A construção de armazéns nas fazendas é uma alternativa, mas para ser rentável é preciso que seja por meio de condomínio associação com vizinhos ou cooperativas formadas pelos agricultores. Caso contrário, o proprietário pode ter prejuízos ou uma preocupação a mais para manter a estrutura bem utilizada e sem causar prejuízo.

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Rafael Manzutti 

O processo de armazenagem de grãos exige mão de obra qualificada. Diante desta  necessidade, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (SENAR-MT), oferece o treinamento de Classificação, armazenagem e preservação de produtos de origem agrossilvipastoril. Este curso tem como objetivo mostrar aos participantes como armazenar grãos e oleaginosas, granel e em sacaria.

O conteúdo, que tem carga horária de 40 horas, é bem intensa e inclui assuntos como unidades armazenadoras de grãos, planejamento da unidade armazenadora e impactos ambientais. Mas não é só isso, os participantes têm a oportunidade de conversar sobre riscos e acidentes que podem ocorrer durante o trabalho, infraestrutura de recebimento dos grãos e beneficiamento da unidade armazenadora.  Máquinas de limpeza, avaliação da qualidade dos grãos como características físicas, fisiológicas e sanitárias, métodos de conservação dos grãos, funcionamento de fornalhas e secadores, manutenção preventiva de unidades armazenadoras e até métodos de controle de pragas de grãos fazem parte do conteúdo.

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Rafael Manzutti 

DICAS – Confira algumas dicas para fazer uma armazenagem de qualidade.

Prepare os silos – o primeiro passo para ter grãos de qualidade é garantir que os armazéns estejam devidamente preparados para receber o produto. Limpe os silos e se livre de quaisquer resíduos que possam ter insetos. Além disso, verifique as áreas sob o piso. Elas podem ser um ponto de abrigo para os insetos se abrigarem até a próxima safra.

Grãos com qualidade – a condição dos grãos durante a colheita determina se ele ficará bem armazenado ou não. No caso do milho, se o produtor pensa em armazenamento de longo prazo é importante começar com milho maduro e de boa qualidade.

Teor certo de umidade – É preciso ter muito cuidado com a porcentagem de umidade na hora de armazenar. O ideal é consultar um profissional da área para não cometer erros.

Aeração – A distribuição adequada de finos com um “spreader” de grãos ou praticando a carotagem repetitiva melhorará a aeração. Um “spreader” de grãos pode ser usado em silos com menos de 14,5 metros para espalhar as partículas finas. É importante ter os itens finos espalhados no silo, para que nem todos fiquem no centro.

Odor diferente – A prática recomendada há muito tempo é checar seus grãos semanalmente, principalmente quando se tem temperaturas elevadas. É importante observar se há alguma crosta ou cheiro perceptível. Um aumento na umidade da superfície muitas vezes é o primeiro sinal de problema. Se houver algo de errado, ligue os ventiladores de aeração. Um silo com ventilador de tamanho adequado terá fluxo de ar suficiente para secar uma pequena camada de umidade no topo.

Insetos – Outro motivo para verificar os grãos frequentemente é a presença de insetos. Em temperaturas mais quentes, os insetos se reproduzem com uma velocidade muito grande e, em dois dias pode virar uma infestação.

 

Fonte: A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Rural News, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ)

Na suinocultura a terminação é a fase menos preocupante mas exige atenção especial

Quinto maior produtor nacional de suínos, com 214 mil toneladas em 2017, o Mato Grosso tem a projeção de ampliar sua produção em 67% até 2028. E um dos desafios para conseguir essa meta é a ampliação do mercado interno desse produto. No Brasil, o consumo de carne suína com 14,7 kg consumidos por habitantes, fica atrás de outras proteínas animais como o frango com 42 Kg per capita e a carne bovina com 33,2 Kg per capita. A carne suína tem um grande potencial de crescimento no mercado interno.  Dentre os diversos desafios,  conseguir diversificar os destinos nas exportações está entre os principais. Em 2017, Mato Grosso conquistou o recorde histórico registrando 2,89 milhões de cabeças abatidas, sendo que as plantas frigoríficas trabalharam com 75% de sua capacidade.

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Foto: Divulgação

A indústria mundial da suinocultura continua evoluindo sempre com a meta de utilizar o que há de melhor e mais avançado em técnicas de produção de suínos. De forma geral, a produção se dá em quatro fases. A primeira é a reprodução que é o período onde ocorre a cobertura e gestação das fêmeas e dura cerca de quatro meses. Quando prestes a parirem, as matrizes são transferidas para uma sala de maternidade por cerca de quatro semanas. Nestas instalações, os leitões nascem e são criados em ambiente protegido. Esta é a segunda fase do processo de produção.

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Pessoa física ou jurídica? Antes de decidir consulte seu contador

Produtores rurais precisam se preocupar muito com os aspectos fiscais de seus negócios. Uns trabalham com um modelo de negócio menor e outros produzem em grande escala, por isso, suas obrigações são distintas. Então é importante que cada um analise junto com o seu contador o que é melhor: pessoa física ou jurídica. No Código Civil, existem muitas diferenças entre os dois termos, tanto sobre a definição quanto em relação a direitos e deveres. O termo pessoa física se refere a um indivíduo concreto, um ser humano. No caso do produtor rural, isso significa que é simplesmente alguém que possui um lote de terras e nele, realiza uma produção em pequena escala, para um público pequeno.

Já a pessoa jurídica representa um sujeito abstrato, como as empresas, as associações, as fundações, as igrejas, as administrações públicas, dentre vários outros. Aqueles que optam por pessoa jurídica é quem se enquadra nesse segmento como uma empresa, fornecendo produtos a consumidores reais, que pagam pelo que é feito. Nesse caso, as obrigações fiscais desse produtor são um pouco mais complexas.

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Pecuária é mais rentável quando tem o foco na intensificação da produção

De um lado a população mundial cresce e do outro, a área de produção de alimentos de origem animal, como a carne bovina é cada vez menor. Há quem diga que o Brasil passará de 181,7 milhões de hectares (ha) de pastagens, número registrado em 2011 para 176,3 milhões em 2022, perdendo assim 2,97% de área de pastagens. Diante deste panorama, a solução é intensificar a produção da pecuária investindo em setores como estação de monta, suplementação das matrizes, tipo de manejo e genética.

Independentemente do tamanho da propriedade, o maior desafio é a obtenção da lucratividade, capaz de remunerar os custos, assegurar novos investimentos e garantir a qualidade de vida do pecuarista. A intensificação pode ser definida como racionalização do uso dos recursos limitantes no processo de produção. E é claro que não existe receita certa para um sistema de produção ideal, pois cada propriedade e cada região possuem suas particularidades que devem ser levadas em consideração no processo de intensificação. Diante disso, é importante ter o auxílio de um profissional para elaborar a receita adequada para cada propriedade.

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Divulgação

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Mato Grosso tem grande potencial botânico e climático para a apicultura

Nos últimos anos, têm-se intensificado o interesse pela criação de abelhas em Mato Grosso. Com isso aumenta a demanda por capacitação e qualificação de mão de obra para atuar no setor, criando assim bases para que a atividade passe de um estágio artesanal para a escala industrial, gerando amplas possibilidades econômicas. Mato Grosso já tem dezenas de municípios, onde a cadeia produtiva da apicultura está em pleno desenvolvimento.  E quando o assunto é capacitação de mão de obra, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (SENAR-MT) oferece treinamentos de Apicultura, Manejo avançado na apicultura e Produção de abelhas rainhas do gênero “Apis mellífera”. Além destes que são direcionados, especificamente, para a cadeia produtiva da apicultura, a instituição oferece ainda dezenas de outros cursos para capacitar e qualificar o homem do campo.

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Mato Grosso é um do estado com grande potencial para o desenvolvimento da cadeia produtiva da Apicultura, considerada uma atividade nobre. Isso porque tem atraído a atenção dos produtores para diversificar a atividade na propriedade rural.  O Brasil possui a maior florada apícola do mundo e o estado destaca-se por ter três ecossistemas bem distintos: Cerrado, Pantanal e Floresta Amazônica. Além disso, tem um clima favorável que propicia a produção de mel durante todo o ano. Diante deste panorama, vale ressaltar que é possível produzir em Mato Grosso mel orgânico, tornando assim um importante produto de exportação. Os produtores acreditam na expansão desse mercado ainda pequeno se comparado com outros estados. Continuar lendo